Input your search keywords and press Enter.

Síndrome de Estocolmo: a doença do Brasil doutrinado – por Carla Rojas Braga

Levando em consideração a nossa índole e pensando de uma maneira geral, brasileiro é um povo infantilizado, adolescente e imaturo. 

Ignorante como uma criança.

 Incapaz de se revoltar de verdade.

Somos um povo que acha graça da desgraça. Faz música sobre corrupção, mas não vai para a rua protestar. 

Faz manifestação dentro de escola, bem protegidinho, mas não vai pra rua combater os crimes dos corruptos.

Somos um povo que espera e deseja benesses de um governo paternalista. 

Esperamos que um ” painho” resolva tudo por nós.

Gostamos de acreditar em promessas e mentiras porque essas fantasias nos isentam de fazer esforço. 

Gostamos de não precisar trabalhar. 

Não gostamos de passar trabalho.

Preferimos ganhar dinheiro sem precisar trabalhar.

 Aqui, quem trabalha é trouxa. 

Quem segue as regras é trouxa. 

O legal é burlar. 

O bacana é o malandro.

Gostamos é de brincar.

Somos todos Peter Pans e Sininhos e vivemos numa terra do faz de conta.

Vivemos na Terra do Nunca.

Nossas crianças não se disciplinam ou se condicionam em casa porque são ensinadas, não a serem honestas e rigidamente seguirem as leis e regras, mas a serem “malandrinhas”.

Neste sentido, a liderança psicopatas, como em alguns governos anteriores , ou como temos ainda visto em muitas instituições, – que como tal se apresenta como líder , – é aceita, enaltecida e protegida por muitos eleitores, alunos, professores e até pais.

Fomos vítimas de piratas , saqueadores e sequestradores, e não lutamos muito. 

Essa relação tem as cores de um relacionamento do tipo que os reféns de sequestro têm com seus raptores.

A Síndrome de Estocolmo é um estado particular no qual vítimas de sequestro desenvolvem um relacionamento afetivo com seu captor. Essa solidadriedade pode , algumas vezes, se tornar uma verdadeira cumplicidade, com os reféns ajudando  a alcançar objetivos espúrios. 

Recebeu este nome em referência ao famoso assalto do Kreditbanken de Norrmalstorg, Estocolmo. 

Ele durou de 23 a 28 de agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender os sequestradores, mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado.
Mostravam um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. Além disso, duas das vítimas se casaram com os bandidos após o término do processo. 

A Síndrome se manifesta da seguinte maneira: durante o processo, os reféns começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores , a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação ou de agressão violenta. Assim sendo, pequenos gestos gentis por parte dos captores são frequentemente amplificados, porque, do ponto de vista do refém, é muito difícil, senão impossível , ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real.
As tentativas de libertação, são , por esse motivo, vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser agredido ou magoado. No caso das salas de aula, o aluno – refém pode sofrer bullying, críticas morais e até ser reprovado pelo professor. O aluno depende do professor -sequestrador para sobreviver. E por isso pode ser  cooptado e o apoiar cegamente.
É importante notar que os sintomas são consequências de um stress físico e emocional intenso.
O complexo e ambivalente comportamento de amor e ódio simultâneo para com o captor pode ser uma estratégia inconsciente de sobrevivência por parte das vítimas.
A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psiqué do refém. A identificação com o sequestrador ocorre para propiciar um afastamento emocional da realidade perigosa e violenta à qual a pessoa está sendo submetida.
O sequestrador faz tamanho estrago na mente da vítima porque é , em geral, um  sedutor.
Por coincidência, podemos verificar , com algumas louváveis exceções, tal tipo de personalidade em alguns políticos e mesmo professores.
Existe neles sempre a expectativa de explorar ou doutrinar os demais. 

Há neles uma consciência social bastante deficiente e se faz notória uma grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos alheios. 
O psicopata não sente temor de enfrentar ações punitivas, é completamente carente de sentimentos de culpa e de consciência social. 

Normalmente sua relação com os demais dura tempo suficiente em que acredita ter algo a ganhar. 
Ele exibe uma total indiferença pela verdade, e, se  desmascarado, pode continuar negando a verdade sempre.
Uma de suas maiores habilidades é a facilidade que tem em influenciar pessoas, ora adotando um ar de inocência, ora de vítima, de líder. 

É sedutor. Amigão.

Pode enganar a outros com encanto e eloqüência.
Portanto, o povo – eleitor ou o aluno – refém fica uma presa fácil.
O  refém é aquele que , em função do stress e da frustração decorrentes das falcatruas e mentiras cometidos pelos sequestradores de mentes fica tão assustado que é capaz de defendê-los cegamente e até aliar-se novamente ao candidato-sequestrador nas próximas eleições ou ao professor/ doutrinador demitido justamente. Os sentimentos de frustração , decepção e revolta podem mascarar-se defensivamente e hipnóticamente como devoção , idolatria e apatia para reagir.
O medo da mudança e da própria liberdade pode levar a um sentimento de desesperança e até de morte social .
Talvez não seja à toa que vários políticos processados sejam eleitos e reeleitos . 

Não é à toa que alunos defendem cegamente professores doutrinadores. 

O povo brasileiro precisa crescer e libertar-se. 

Os pais e alunos precisam sair do cativeiro doutrinador perverso.

Precisamos querer crescer e querer a liberdade.

Precisamos vencer essa batalha.

Caso contrário, seremos eternamente reféns de saqueadores de almas e sequestradores de mentes.

(Carla Rojas Braga é psicóloga, psicoterapeuta e escritora)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *